About

Meu nome é H. para os fins desse blog, tenho 20 anos e sou bulímica. Minha história é provavelmente um grande clichê para todas que também o são.
Criança gorda, sofri bulling, daquele tipo light que só destrói sua auto estima, mas não é o suficiente para os professores se importarem. Sofri com minha aparência.
Aos 13 anos um cara mais velho resolveu que queria ser meu namorado e eu aceitei, esse mesmo cara abusou sexualmente de mim e destruiu qualquer possibilidade de eu vir a ser uma pessoa normal. Foi a primeira vez que eu tive nojo do meu corpo. Ninguém nunca soube.
Nesse mesmo ano eu comecei a comer compulsivamente. A normalidade era que eu comesse dois pratos no almoço e fizesse lanches o tempo todo. Ninguém via nada de errado em mim. Até que um dia depois de três pratos monstruosos eu fui até o meu quarto e me olhei no espelho. Eu estava farta. Exausta. Foi a segunda vez que eu tive nojo do meu corpo. Fui até o banheiro, coloquei um dedo no fundo da garganta e vomitei. Foi tão fácil, como se eu tivesse nascido para aquilo.
A adolescência me trouxe um corpo melhor, mas ainda muito longe do que eu gostaria. A frustração de não conseguir me manter na linha me fez praticar os mais vis atos contra o meu corpo. O meu primeiro e mais violento episódio de cutting foi com uma tesoura de costura, não muito afiada, mas que, com a força com a qual eu a aplicava em meu braço, fez um corte tão profundo que deixou uma cicatriz em auto relevo. Carrego essa e outras marcas.
Conheci a internet e os termos "ana", "mia", "NF", "LF" e todas as outras idiossincrasias. Senti-me em casa, parte de algo. Antes, eu me imaginava como uma criatura única em sua loucura, imersa em um mundo que ninguém conhecia, jamais imaginaria que eu estava diante de uma patologia tão comum. Ah! O silêncio. Esse me manteve a salvo, mas também me manteve nessa bolha sufocante por tanto tempo! Não é possível expressar o quanto esse mundo me liberta.
Desenvolvi ao longo desses árduos 7 anos estratégias de convivência com a minha inquilina Mia e ela comigo. Também me organizei e pretendi chegar de fato ao meu objetivo, sem compulsões, sem desculpas, sem pressa... Daí nasceu o Só 2 kilos!  - de uma tentativa desesperada de controle mesmo com a pressão avassaladora que é se odiar.

H,

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